EMPATE

EMPATE

As pessoas do Antimary, acompanham com sofrimento as matas serem devastadas pelo selvagem cartel que controla a exploração e comércio internacional de madeiras. Essa destruição criminosa tem contado com apoio efetivo dos agentes do imperialismo (Banco Mundial, FMI BID,CEE), bem como dos governos Estadual, Federal, inúmeras ONGs e representações dos movimentos sociais subservientes a essas forças. A paisagem natural e a riquíssima cultura dos povos que a integram - resultado de milhares de anos de formação - estão sendo eliminadas numa velocidade estupenda, basta ver o fúnebre desfile de caminhões carregados de toras que transitam 24 horas por dia na região. Tudo em nome do “manejo florestal sustentável”, nome fantasia dado ä destruição e mercantilização da natureza, com corte seletivo da madeira e ainda do chamado “corte raso”, o exemplo é o próprio Antimary, e de tudo o que há nela, inclusive os seres humanos. Esta estratégia poderá estar destruindo, se não empatarmos, quase 2 milhões de hectares de florestas, só no Acre.

Enquanto as motos-serra reproduzem os interesses de seus senhores, a condição de existências de seringueiros, camponeses e trabalhadores sem terra se agrava. Problemas recorrentes, desde a falta de escolas e transportes, á ausência de suporte ás suas atividades econômicas comunitárias. As florestas e as gentes que dela dependem, seguem tendo seus legítimos interesses e demandas deixadas de lado, ao invés, o Estado a mando do Capital investe grandes somas e recursos na iniciativa privada, tudo em nome da busca do lucro, não importando se isto ameace a todos e todas com a barbárie, cada vez mais presentes no nosso cotidiano.

É nesse contexto mais geral de destruição da natureza e crescimento da barbárie, que as gentes do Antimary está organizando o primeiro Empate do século XXI. O primeiro depois que o Estado passou a organizar e institucionalizar a depredação premeditada, de modo mais articulado, a entrega das matas para os capitais privados, ligados ao agronegócio da madeira e da pecuária de corte. Empate, sinônimo de resistência e lutas, de gentes que não se aquietam perante os parasitas do poder. Empate para organizar uma outra vida, solidária e fraterna, que respeite a natureza e mantenha com ela relações não destrutivas, como queria Chico Mendes e seus companheiros de luta. Empate do Chico, do Wilson, das Marias e Josés, do Antimary, do Bujari, do Espinhara e Linha Nova. Empate do Acre e do Brasil, da América Latina, dos Povos que querem construir um outro mundo.

Essa luta é de todos que não se vendem e não se rendem a mercantilização da natureza, da vida e do mundo.

Empate em defesa das florestas, contra a mercantilização da natureza!
Empate por uma vida digna para todos e todas!
Empate por uma convivência cheia de sentidos, com a natureza e o próximo!
Empate pela dignidade, justiça e liberdade!

Movimento dos Pequenos Agricultores - MPA